Instituto Soja Livre

Conexão Soja Livre debate crise e oportunidades da soja convencional

Encontro pela rede social nesta sexta-feira (08.05) tratou de mercado, produtividade, manejo, entre outros temas

As mudanças com a pandemia do novo coronavírus têm afetado os mercados mundiais. Muito há de se pensar sobre renovação, novas tecnologias e rentabilidade. Para iniciar debates sobre temas pertinentes ao setor, o Instituto Soja Livre realizou nesta segunda-feira (08.05) a primeira edição do Conexão Soja Livre, um projeto que busca interligar e informar produtores rurais e parceiros da cadeia de soja convencional por meio das redes sociais.

O tema do primeiro encontro foi impactos da crise e oportunidades da soja convencional. O presidente do ISL, Endrigo Dalcin, disse que está é uma ferramenta que deverá ser bastante usada para falar com os produtores rurais, traders, mercado e todos os participantes da cadeia.

Dalcin também explicou sobre a criação e a importância do Instituto. “Mato Grosso sempre se destacou na produção de soja e, antes do advento da transgenia, eram plantadas cultivares convencionais. O produtor rural gosta destas cultivares e precisamos cada vez mais da união de entidades, tecnologias e profissionalização para que volte a ganhar espaço”, afirmou.

Ele explicou que a transgenia veio para aumentar a produtividade nas lavouras e isso se significou perda de proteína. “Nosso principal cliente, China, reclama de que há pouca proteína na soja que recebem e isso pode ser melhorado com as cultivares convencionais que estão no mercado”.

Entretanto, para que haja o real interesse do produtor rural é preciso que toda a cadeia da soja convencional também esteja com o mesmo objetivo. Dalcin ressalta: “o plantio é uma decisão da cadeia, com armazém, sementeira, trade, tudo preparado para este mercado que deverá pagar prêmios sobre o valor da saca”.

Durante a conversa, o diretor de Relações Internacionais do ISL, Ricardo Arioli Silva, explicou que a negociação por prêmios regulares é um dos objetivos da entidade. “Sabemos que o mercado é livre, mas queremos buscar um equilíbrio nesta gangorra para melhorar as condições atuais. Os pequenos é médios produtores têm aderido à soja convencional porque agrega receita, mas a irregularidade e incerteza dos prêmios causa expectativas”.

Os diretores citaram os dados levantados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agrícola (Imea) sobre soja convencional. Em uma safra que deve chegar a 34,74 milhões de toneladas em 2020/2021, cerca de 40% dos produtores rurais ainda não decidiram se plantarão transgênicos ou convencional. Na safra 2019/2020, apenas 5% da área foi cultivada com soja convencional.

“Temos que tentar avançar no mercado chinês, que exige 100% da soja convencional sem contaminação, ou seja, sem mistura com soja transgênica. Isso é impossível, mas 99,9% é possível. Então, é necessário mostrarmos que fazemos um bom trabalho por aqui e tentar modificar algumas leis chinesas”, disse Arioli.

A boa produtividade das cultivares convencionais também foi citada durante a live do Soja Livre. Arioli contou que em sua propriedade, em Campo Novo do Parecis (MT), foi a melhor produtividade da história. Dalcin ressaltou que os prêmios da safra 2019/2020 foram bons e que, no próximo ciclo, deve melhorar ainda mais.

“Já temos o caso do supermercado alemão LIDL que paga prêmio posterior para quem não conseguiu vender a soja convencional. Aos poucos, o mercado vai entendendo a necessidade de dar segurança ao produtor rural. A ideia é trabalharmos com um contrato de dois anos para que o agricultor tenha certeza de que receberá um diferencial para vender em determinado mercado”, finaliza o presidente do Soja Livre, Endrigo Dalcin.