Instituto Soja Livre

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Instituto Soja Livre, Aprosoja e Embrapa debatem sobre tecnologia, mercado e gargalos da soja convencional

Live do projeto “Conexão Soja Livre” reuniu pesquisadores, consultores e produtores rurais para falar sobre os gargalos da tecnologia não transgênica

As novas decisões de pesquisa sobre soja convencional precisam estar alinhadas com o mercado, que tem boas perspectivas para o cultivo de variedades não transgênicas. “Há um forte apelo ao consumidor europeu para comprar produtos não transgênicos. Há ainda a situação da China, que necessitará de um fornecimento regular de soja convencional para alimentação humana. Serão números grandiosos, pois a classe média chinesa é maior que toda a população brasileira”, afirma Augusto Freire, diretor da Value Chain Consulting.

Segundo ele, a Europa aumentará a demanda por soja livre nos próximos anos, mas é preciso diminuir a volatilidade do mercado. “Pesquisas mostram que o consumo da Europa é de 35 milhões de toneladas e a produção é, em média, 10 milhões de toneladas. Eles dependem da importação de países como Argentina, Índia e, especialmente, do Brasil”.

A sinalização do mercado europeu é de ainda mais demanda com as pautas sobre sustentabilidade sendo reforçadas e a opção por produtos não transgênicos, como a soja que fabrica a ração de suínos, por exemplo. “Precisamos olhar para a soja convencional como um mercado promissor e, por isso, há necessidade de remunerar toda a cadeia, inclusive os serviços ambientais”, explica Endrigo Dalcin, presidente do Instituto Soja Livre.

O Brasil é o país onde há o maior plantio de soja convencional. De acordo com dados levantados pelo Instituto Soja Livre, na safra 2020/21 foram 915 mil hectares de soja convencional, com produção estimada em 3 milhões de toneladas. Em Mato Grosso, a área foi de 480 mil hectares, correspondente a 4,7% da área total do Estado, segundo dados do ISL.

Entretanto, o produtor rural brasileiro ainda verifica dificuldades importantes para a produção e remuneração da soja convencional, especialmente se comparada com as variedades transgênicas. Ricardo Arioli, diretor de Relações Internacionais do ISL, acredita que “há dificuldade de vermos à frente. O que poderia ser uma parceria ganha-ganha não tem sido assim: produzimos sem saber quanto vamos vender. O que o produtor rural observa é que os últimos três anos não há bons prêmios como verificamos agora.

O produtor rural e diretor da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja), Fernando Ferri, plantava somente soja convencional em sua propriedade em Campo Verde até a safra anterior. No ciclo 2021/22 optará pelas variedades transgênicas por uma questão econômica e de manejo.

“Tive muitos problemas com ervas daninhas e agora preciso rotacionar e ainda avaliarei se voltarei a plantar soja convencional. O cenário está complicado, pois há ‘apagões’: não tem semente e tem prêmio e vice-versa”, observou.

Sebastião Pedro da Silva Neto, chefe-geral da Embrapa Cerrados, ressaltou que a empresa trabalha com demandas da sociedade e verificam a importância de continuar a pesquisa de novas variedades de soja convencional. “É preciso de um longo tempo para a pesquisa ser finalizada e colocamos novas variedades no mercado. É um cenário que precisa ter mais diálogo, pois o mercado de melhoramento genético é caro e precisa ser remunerado”, avalia.

Endrigo Dalcin, presidente do Instituto Soja Livre, acredita que a questão da remuneração da pesquisa é essencial para um bom andamento da cultura da soja convencional. “A gente precisa resolver a questão da semente salva para manter as empresas de germoplasma”.

O produtor Fernando Ferri concorda: “o produtor rural é imediatista, ele quer plantar e ter boa produtividade, mesmo com prêmio bom. E para ter produtividade, tem que existir mais pesquisas e acredito que com bom resultado os agricultores não se negariam a pagar”.

Para o pesquisador Sebastião Pedro, o resultado da produtividade é a genética da variedade e também o manejo na propriedade. “As médias brasileiras subiram, de forma geral, mas todo mundo desacostumou a trabalhar com convencional e focou no transgênico. Mas o esforço continua, aqui na Embrapa vamos continuar perseguindo altas produtividades”, finalizou.

CONEXÃO SOJA LIVRE – O Instituto Soja Livre debateu nesta segunda-feira (03.05) a longevidade da soja convencional no mercado brasileiro e mundial. O “Conexão Soja Livre” trouxe informações sobre produtividade, tecnologia, competitividade e mercado. Para assistir no YouTube, basta clicar aqui .