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Peixes, aves, suínos, chocolate: saiba os principais destinos da soja convencional

A soja brasileira é componente principal da ração para animais ao redor do mundo. Aves, suínos, bovinos e peixes são alimentados com ração que, sendo produzida com soja convencional, tem maior agregação de valor. De acordo com Marcos Melo, gerente de insumos da Caramuru, empresa associada ao Instituto Soja Livre, são mais de 5 milhões de toneladas demandadas por estes produtos.

“Há possibilidade de crescimento deste volume se tivermos ofertas mais constantes”, acredita Melo, que participou de uma live sobre soja convencional organizada pela Embrapa em parceria com o ISL no início do mês de dezembro.

Segundo ele, são três principais produtos derivados da soja não convencional: o farelo hipro 48% de proteína, o farelo SPC 62% proteína e a lecitina. O farelo hipro tem demanda de 4 milhões de toneladas, enquanto o SPC de 750 mil toneladas e a lecitina, 70 mil toneladas.

Alemanha, França, Itália, Holanda e Suíça são os cinco principais países compradores do hipro 48%, que é utilizado para ração de aves, principalmente, e também suínos e bovinos. Noruega, Dinamarca, Reino Unido, Grécia e Austrália são os compradores do SPC 62%, utilizado para alimentação de peixes em cativeiro, especialmente salmão e truta.

“Já a lecitina é utilizada para produção de chocolate, sorvete, é um emulsificante muito usado na produção de alimentos. Sendo não transgênico, tem aceitação muito boa e valor agregado em diversos países, especialmente da Europa”, afirmou Melo.

O presidente do Instituto Soja Livre, Endrigo Dalcin, também participou da live e informou que o Brasil deve produzir soja em uma área de 38 milhões de hectares na safra 2020/2021, cerca de 3 % maior que a safra anterior. Entretanto, a área de soja convencional estimada é de apenas 900 milhões de hectares. Mato Grosso é o estado que mais produz soja convencional, com cerca de 470 mil hectares nesta safra.

“Há desafios que buscamos resolver para aumentar a área de soja convencional no país, pois há grande potencial de aumento de demanda. Entre eles, contratos de pelo menos 2 anos entre compradores e produtor rural, prêmios atrativos, continuidade na pesquisa de novas variedades”, exemplificou Dalcin. Ele frisou também a sustentabilidade da soja mato-grossense e brasileira, que atende uma rigorosa legislação ambiental e trabalhista.

Marcos Melo, da Caramuru, informou que para Goiás e Mato Grosso novas variedades de soja já estarão nas lavouras nesta safra 2020/2021. Serão 17 variedades no total desenvolvida pela Embrapa, TMG, Agronorte, universidades de Viçosa e Uberlândia, entre outras empresas.

Falando sobre o futuro da soja convencional na visão do comprador, Melo apontou que dependerá das compras dos países da União Europeia, que são grandes consumidores, assim como da estabilidade da oferta com rastreabilidade e livre de resíduos de defensivos.

Ele alertou que caso haja dificuldades para o mercado de soja convencional, os compradores têm outras alternativas como o guar da Índia – uma leguminosa parecida com vagem. Há ainda o crescimento da produção na Europa, em países como Itália e Ucrânia, e também na Índia, que produz 100% de soja convencional.

“É importante termos continuidade na pesquisa e consequente aumento na oferta de variedades convencionais e também a valorização adequada de toda a cadeia produtiva”, finalizou Marcos Melo.

Confira o Seminário on-line Soja Convencional em Mato Grosso aqui: https://www.youtube.com/watch?v=stRn-jgdfjQ.

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