Instituto Soja Livre

Demanda europeia e abertura do mercado chinês devem incentivar plantio de soja convencional nos próximos anos

Entretanto, área de plantio na próxima safra deve cair e ocupar 2,3% do total nacional. Em MT, a área deve ser de 6%

A safra de soja convencional 2020/2021 no Brasil deve ocupar 2,3% do total da área plantada com a oleaginosa, em Mato Grosso chegará a 6%. Os prêmios devem ser remuneradores para o produtor rural, pois não há mais produto para a venda. Porém, ainda há insegurança dos agricultores por causa da variação dos prêmios a cada safra.

O Instituto Soja Livre (ISL) trabalha junto aos compradores no convencimento sobre a importância de um contrato bianual que garanta remuneração ao agricultor e o produto para o consumidor, que na maioria são países europeus.

No último ciclo, foram 5 milhões de toneladas de soja convencional de um total de 120 milhões de toneladas. De acordo com o diretor de Relações Internacionais do Instituto Soja Livre (ISL), Ricardo Arioli, as variedades convencionais já representaram 22% do total da área na safra 2014/2015.

“Essa queda é reflexo da falta de interesse do produtor rural. O problema é a falta de um contrato antecipado pelo prêmio a esta soja. A (soja) convencional é vendida para o mercado europeu e é um nicho, por isso precisa de um bônus e ele varia muito. Se os produtores plantam e na hora de vender a soja não tem um prêmio remunerador – mais ou menos 2 ou 3 dólares por saca, desestimula”, aponta Arioli.

O diretor frisa que a situação atinge toda a cadeia da soja convencional, como o sementeiro, que não vende o produtor e não investe em produção de novas variedades, por exemplo.

Entretanto, há a expectativa de abertura do mercado da China para a soja convencional. “Lá, a soja não transgênica é usada para consumo humano, algo entre 12 a 15 milhões de toneladas. O consumo interno aumenta rapidamente e, em breve, será um grande cliente”, diz Arioli.

O receio é a tolerância zero para a contaminação com soja transgênica, que outros mercados permitem entre 0,5% ou 1%. “Teríamos que negociar com os compradores para que o produto saia do Brasil com todos os testes feitos e não corra o risco de devolução. Existem várias formas de exportação, temos instrumentos e ferramentas para consolidar este mercado nos próximos anos”, avalia.

Mato Grosso novamente deve ser o destaque na produção da soja convencional. O share do Estado é de 53%, enquanto Paraná responde por 18%, Goiás por 10%, Mato Grosso do Sul por 7% e os demais estados 13%. O diretor do ISL acredita que há espaço para crescimento.

“Estamos tentando melhorar essa comunicação com a Europa dizendo que eles não precisam pagar muito caro pelo prêmio, como acontecerá no ano que vem, desde que haja um contrato remunerador. O mercado de (soja) convencional é uma ferramenta poderosa na mão dos produtores também para controlar o preço dos royalties das variedades transgênicas. Há variedades convencionais muito produtivas, por isso o agricultor precisa, além de ter a opção do que plantar, ter o prêmio para incentivar”, finaliza Arioli.

Soja Livre completa dez anos na defesa da soja convencional

Instituto agrega produtores, Embrapa, tradings e empresas e começou em 2010, como um programa da Aprosoja-MT. Hoje, sua atuação se expandiu para todo o Brasil

O intuito de garantir aos produtores de soja a liberdade para poderem escolher entre soja convencional e soja transgênica fecha um ciclo de dez anos em 2020. Iniciado como um projeto da Aprosoja Mato Grosso e Embrapa, o Instituto Soja Livre formaliza o propósito de garantir pesquisa, tecnologia e mercado para que sojicultores brasileiros tenham, de fato, direito de opção.

Os organismos geneticamente modificados (OGMs) entraram no mercado brasileiro em 2003, e a estratégia agressiva de venda da multinacional detentora da patente deixou os agricultores apreensivos. “As ações de mercado da empresa eram de guerra, e o produtor ficou acuado, pois a produtividade da semente transgênica ainda não era conhecida”, lembra Roque Ferreti, diretor administrativo do Instituto Soja Livre.

Com o passar dos anos, optar pela soja convencional se tornou uma ação de resistência e se tornou uma bandeira defendida pela Aprosoja-MT e pela Embrapa. Em seguida, o então “programa” Soja Livre recebeu a participação da Associação Brasileira dos Produtores de Grãos Não Geneticamente Modificados (Abrange) e de tradings.

“O movimento foi uma forma de discutirmos a cobrança de royalties, porque não havia diálogo a respeito de valores. Queríamos ser livres para plantar o que quiséssemos. Agregando novos parceiros, o programa começou a encorpar e a ter mais relevância”, diz Roger Augusto Rodrigues, produtor rural e um dos fundadores do programa Soja Livre.

O diretor técnico do Instituto Soja Livre, pesquisador da Embrapa Rodrigo Brogin, lembra que com o crescimento da área de soja transgênica alguns produtores rurais não verificavam lançamentos de novas variedades de cultivares convencionais.

“Na época, a soja convencional passou a ser tratada como algo ultrapassado. Este foi um momento importante para a Embrapa, pois tivemos que ‘correr’ para fazer o melhoramento e entregar materiais mais competitivos. Conseguimos desenvolver cultivares novas e colocar no mercado”, afirmou.

Para o pesquisador Ivan Paghi, também fundador do programa, uma das metas mais importantes do Soja Livre era a mobilização para fomentar a continuidade das pesquisas e aproximar os elos da cadeia. Entre conquistas marcantes, ele cita a rastreabilidade e a certificação. “A Abrange e a ABNT criaram a primeira norma de produção de soja não transgênica, e isso foi fundamental”, relembra.

Fundação do Instituto Soja Livre, em 2017.

Em 2017, o programa se transformou no Instituto Soja Livre, uma associação autônoma, com o objetivo de ampliar o trabalho e dar transparência às ações. O movimento cresceu e tornou-se de abrangência nacional e até internacional. Para o presidente Endrigo Dalcin, que à época presidia a Aprosoja-MT, a trajetória até o momento foi de extrema importância.

“Mantivemos a soja convencional no campo de visão do produtor rural, mostrando que há opção do que plantar. A gente sabe das dificuldades do mercado, mas o papel fundamental do Soja Livre é apoiar e dar suporte a quem quer plantar convencional, seja produtor ou empresas. Hoje, somos referência para informações técnicas e de mercado”, observa.

A diminuição da área de soja convencional no Brasil tornou os agricultores em especialistas na cultivar. Hoje, em Mato Grosso, maior estado produtor de grãos do País, a área representa 8% do total cultivado. “O mercado se afunilou a um nicho, de alta qualidade e remunerado por isso. Atualmente, o Instituto Soja Livre tem uma agenda importante de conversações com parceiros internacionais, suporte técnico e associados ‘de peso’”, diz Dalcin.

O empresário Joel Luciano Callegaro, da Campo Real de Querência (MT), associou-se ao Instituto Soja Livre para divulgar a empresa no mercado. “Vi que grandes empresas estavam participando e quis mostrar o meu negócio também. Acredito que a ideia é resgatar esse mercado”, diz. Apesar da diminuição da área plantada com soja convencional, as tecnologias vêm sendo aprimoradas e se tornou um nicho de mercado para o agricultor.

O ISL trabalha em conjunto com produtores rurais e empresários na busca de uma melhor remuneração para a soja convencional, com um pagamento de prêmio aos agricultores. Um exemplo é a parceria com a rede de supermercado alemã LIDL, a maior da Europa, como forma de fomentar o cultivo no Brasil. O programa é gerenciado pelo Instituto Soja Livre, Fundação Pró-Terra e Food Chain ID.

O instituto agora tem como foco o mercado, mostrando as vantagens do cultivo convencional para o produtor e também apresentando o produto para o mercado convencional que busca cada vez mais sustentabilidade.

“Hoje, temos cultivares com ciclos mais curtos, mas precisamos ainda de melhoramento – essa busca não para. A missão primeira do Soja Livre, que é manter a tecnologia viva, está sendo cumprida”, afirma Brogin.

“É um nicho de mercado para agricultores especialistas. O que aumenta a produtividade é a genética da cultivar, o que pode ser feito nas convencionais também. Precisamos apoiar a pesquisa, a Embrapa, e dar a opção para que o produtor rural pense no plantio de convencional como uma decisão estratégica comercial”, acredita Ivan Paghi.

Os momentos difíceis de agregação de pessoas e empresas para um trabalho comum ficou para trás. O diretor Roque Ferretti lembra que “colocar todos em um ‘saco só’ era complicado, e demorou alguns anos para todos entenderem que o objetivo era comum”.

Para ele, o Instituto existe graças à compreensão dos que ficaram e é forte pelo trabalho em equipe. “O Instituto Soja Livre está muito sólido e bem estruturado. Somos referência e seguimos firmes, com objetivos claros traçados e sempre agregando para proteger este nicho de mercado e termos liberdade de escolha”, destaca.

Soja convencional terá boa rentabilidade no ciclo 2020/2021

Projeção do Instituto Soja Livre aponta para mercado aquecido apesar da redução da área plantada

A safra 2020/2021 de soja convencional deve ter boa rentabilidade, apesar da redução de área verificada nos estados produtores. Levantamento do Instituto Soja Livre aponta para uma área de 600 mil hectares em Mato Grosso, próximo de 6% da área de 10,21 milhões de hectares projetadas.

Para o presidente do Instituto Soja Livre, Endrigo Dalcin, se consolidando os bons números no próximo ciclo haverá um aumento de área para 2021/2022. “O que sempre frisamos é que os prêmios pagos pela soja convencional se mantenham por pelo menos dois anos. Desta forma, toda a cadeia pode se organizar para atender a demanda. Neste momento, já projetamos algum aumento para as próximas safras”, afirma.

Em Goiás, a área prevista de soja convencional está em torno de 53 mil hectares. Juntamente com Mato Grosso, Paraná e Mato Grosso do Sul produzem 90% da soja convencional brasileira. Para Davi Depiné, diretor de fomento da Caramuru Alimentos, associada ao Instituto Soja Livre, o aumento do dólar não tornou atrativo o preço pago pela saca de soja convencional.

“Os preços da soja subiram muito. Então, os prêmios praticados não foram vantajosos para o produtor rural. Mesmo com o bônus, ainda não chegamos ao preço pago pela soja GMO”, explica.

Na região Médio Norte de Mato Grosso os bons preços do milho fizeram com que o produtor rural optasse por variedades precoces de soja para não perder a janela ideal do plantio da segunda safra. Para Estênio Carvalho, gerente regional da Caramuru Alimentos, o trabalho em variedades mais precoces e produtivas de soja convencional pode fazer com que os agricultores optem por ampliar a área de plantio.

“Já temos parceria com Embrapa e Universidade de Viçosa para estas variedades, a Agronorte também tem algumas, assim como a TMG. O mercado de soja convencional vem se preparando para atender a esta demanda”, acredita. Para ele, também é preciso se atentar ao mercado internacional que é o comprador da soja convencional brasileira. “Temos que seguir as regras do consumidor, que é a Europa, e eles são muito preocupados com a questão ambiental”, reforça.

O mercado internacional está se movimentando para consumir mais soja convencional, de acordo com Augusto Freire, da Food Chain ID. “Precisamos é divulgar melhor nossa produção lá fora para que vejam como trabalhamos com sustentabilidade e, desta forma, paguem o prêmio adequado. Há sinais de que a próxima safra seja positiva, mas não podemos ter muito entusiasmo. Dependemos da Índia, nosso principal concorrente na soja convencional”, frisa.

O Instituto Soja Livre planeja um road show pela Europa para apresentar aos compradores a sojicultura mato-grossense, que tem grande foco na sustentabilidade sócio-ambiental. “Neste ano, devido à pandemia ficamos impedidos de viajar e fazer este trabalho de divulgação. Acreditamos que em 2021 podemos rodar a Europa com reuniões importantes e trazer avanços no comércio da soja convencional”, acredita Endrigo Dalcin, presidente do ISL.

PANDEMIA

A pandemia da Covid-19 não afetou fortemente a sojicultura brasileira. Em Mato Grosso e Goiás, por exemplo, ocorreu a colheita da safra de verão e o plantio da safrinha. A preocupação no momento atual é a movimentação de insumos para a próxima safra. As empresas, entretanto, estão preparadas com os protocolos de segurança a serem seguidos para evitar contaminação. Davi Depiné, da Caramuru, conta que os atendimentos presenciais foram substituídos pelas conversas pela internet sempre que possível.

Quatro estados produzem 87,5% da área de soja convencional brasileira

Mato Grosso, Paraná, Goiás e Mato Grosso do Sul são os maiores produtores, doze Estados perfazem apenas 12,6%

A produção de soja convencional vem diminuindo no Brasil desde a introdução das sementes geneticamente modificadas. A soja livre de transgenia, porém, traz vantagens aos produtores rurais interessados em nichos de mercado e em se manterem livres para escolher quais variedades e produtos usar em suas lavouras.

Em levantamento realizado pelo Instituto Soja Livre, Mato Grosso é o principal produtor de soja convencional do País, utilizando 602,2 mil hectares para estas cultivares, o que significa 52,8% do total da área destinada para estas cultivares. Em seguida vem o Paraná, com 206,3 mil hectares (17,8%), Goiás com 113,4 mil hectares (9,6%) e Mato Grosso do Sul com 85,5 mil hectares (7,3%).

Os estados de Roraima, Minas Gerais, Tocantins, Rondônia, Rio Grande do Sul, Piauí, Distrito Federal, São Paulo, Maranhão, Bahia, Santa Catarina e Pará representam 12,6% da área total plantada com soja convencional.

O presidente do Instituto Soja Livre, Endrigo Dalcin, ressalta que cada estado tem a sua particularidade e afirma que os pequenos e médios produtores têm mantido a produção de soja convencional e conseguido renda extra e que há mercado internacional para o produto.

“Precisamos de prêmios firmes para que o agricultor brasileiro continue e volte a plantar soja convencional. Sabemos que pode trazer mais renda para os produtores rurais nas pequenas e médias propriedades”, diz Dalcin.

Na safra 2019/20 brasileira foram plantados 1,5 milhão de hectares de soja convencional com produção de 5,1 milhões de toneladas. Mato Grosso ocupou metade desta área, produzindo 2 milhões de toneladas de soja sem modificação genética.

O Instituto Soja Livre trabalha com a FoodChain ID, empresa que faz certificações internacionais para a soja. O objetivo é que, em médio prazo, a soja convencional brasileira possa ser certificada e consiga livre acesso aos mercados europeus e também chinês.

Para Augusto Freire, da FoodChain ID, o mercado internacional varia bastante em relação ao abastecimento com soja convencional. “A Índia é um grande país produtor de soja convencional e abastece muitos países europeus, por isso há anos que o prêmio é melhor e outros, pior. Buscamos a certificação porque será um grande diferencial em relação a este concorrente que não tem preocupação com sustentabilidade, por exemplo”.

Outro mercado focal da soja convencional brasileira é o chinês. Freire explica que a classe média chinesa é maior que toda a população brasileira e têm interesse em produtores livres de transgênicos para consumo humano.

“Quando este mercado engrenar será um grande salto para a nossa produção e já existem projetos pilotos de embarque de conteiners para a China. Precisamos informar isso aos europeus e exigir que voltem a fazer contratos de longo prazo com os produtores brasileiros com prêmios atrativos”, finaliza.

Bons prêmios incentivam plantio de soja convencional em MT

Os agricultores ainda estão tomando as últimas decisões sobre o plantio da safra 2020/2021. De acordo com dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), mais de 40% dos produtores rurais não definiram se plantarão sementes transgênicas ou convencionais.

O presidente do Instituto Soja Livre, Endrigo Dalcin, salienta as vantagens das variedades convencionais: “há um nicho de mercado muito importante que os produtores rurais mato-grossenses e brasileiros podem atingir. A Europa é consumidora e buscamos alterações na legislação chinesa para que a convencional também entre no País”.

Além disso, o ISL trabalha para que haja bons prêmios pagos para os agricultores que cultivem variedades convencionais. Dados do IMEA apontam que a área de soja convencional vem diminuindo drasticamente em Mato Grosso – caiu de 18% do total na safra 2017/18 para 5% na safra 2019/20.

Segundo Dalcin, os prêmios não animaram os agricultores que buscaram a segurança das variedades transgênicas. “Porém, verificamos nos últimos dias prêmios de 10 a 12 reais por saca justamente por causa da queda na produção esperada. O mercado lá fora está em alerta para a baixa produção de soja convencional e deve oferecer melhores prêmios no próximo ciclo”, explica.

O custo operacional de produção não apresenta muita diferença entre soja convencional e transgênica. O IMEA estimou que o hectare de soja transgênica custa R$ 3.482,00 e o de convencional custa R$ 3.600,00. Há pouca diferenciação nos custos de sementes: a transgênica represente 9% do custo, a convencional 7%, e em relação a defensivos, a transgênica 25% do custo operacional e a convencional 28%.

Apoio ao plantio

Neste ano, os agricultores que plantaram soja convencional nas safras 2017/18 e 2018/19 começaram a receber novamente prêmios pelos grãos comercializados como transgênicos. Os valores – US$ 9 por saca, são da LIDL, a maior rede de supermercados da Europa e foram direcionados para fomentar o plantio de soja livre de transgênicos no Brasil por meio do Programa de Incentivo à Soja Convencional. O programa é gerenciado pelo Instituto Soja Livre, Fundação Pró-Terra e Food Chain ID.

Instituto Soja Livre

O Instituto Soja Livre é uma associação sem fins lucrativos que defende o direito de cada produtor de escolher a qualidade do grão que deseja plantar em cada safra.  O objetivo é fomentar o plantio de soja convencional, feito especialmente por pequenos e médios agricultores para atender um nicho de mercado importante.

Conexão Soja Livre debate crise e oportunidades da soja convencional

Encontro pela rede social nesta sexta-feira (08.05) tratou de mercado, produtividade, manejo, entre outros temas

As mudanças com a pandemia do novo coronavírus têm afetado os mercados mundiais. Muito há de se pensar sobre renovação, novas tecnologias e rentabilidade. Para iniciar debates sobre temas pertinentes ao setor, o Instituto Soja Livre realizou nesta segunda-feira (08.05) a primeira edição do Conexão Soja Livre, um projeto que busca interligar e informar produtores rurais e parceiros da cadeia de soja convencional por meio das redes sociais.

O tema do primeiro encontro foi impactos da crise e oportunidades da soja convencional. O presidente do ISL, Endrigo Dalcin, disse que está é uma ferramenta que deverá ser bastante usada para falar com os produtores rurais, traders, mercado e todos os participantes da cadeia.

Dalcin também explicou sobre a criação e a importância do Instituto. “Mato Grosso sempre se destacou na produção de soja e, antes do advento da transgenia, eram plantadas cultivares convencionais. O produtor rural gosta destas cultivares e precisamos cada vez mais da união de entidades, tecnologias e profissionalização para que volte a ganhar espaço”, afirmou.

Ele explicou que a transgenia veio para aumentar a produtividade nas lavouras e isso se significou perda de proteína. “Nosso principal cliente, China, reclama de que há pouca proteína na soja que recebem e isso pode ser melhorado com as cultivares convencionais que estão no mercado”.

Entretanto, para que haja o real interesse do produtor rural é preciso que toda a cadeia da soja convencional também esteja com o mesmo objetivo. Dalcin ressalta: “o plantio é uma decisão da cadeia, com armazém, sementeira, trade, tudo preparado para este mercado que deverá pagar prêmios sobre o valor da saca”.

Durante a conversa, o diretor de Relações Internacionais do ISL, Ricardo Arioli Silva, explicou que a negociação por prêmios regulares é um dos objetivos da entidade. “Sabemos que o mercado é livre, mas queremos buscar um equilíbrio nesta gangorra para melhorar as condições atuais. Os pequenos é médios produtores têm aderido à soja convencional porque agrega receita, mas a irregularidade e incerteza dos prêmios causa expectativas”.

Os diretores citaram os dados levantados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agrícola (Imea) sobre soja convencional. Em uma safra que deve chegar a 34,74 milhões de toneladas em 2020/2021, cerca de 40% dos produtores rurais ainda não decidiram se plantarão transgênicos ou convencional. Na safra 2019/2020, apenas 5% da área foi cultivada com soja convencional.

“Temos que tentar avançar no mercado chinês, que exige 100% da soja convencional sem contaminação, ou seja, sem mistura com soja transgênica. Isso é impossível, mas 99,9% é possível. Então, é necessário mostrarmos que fazemos um bom trabalho por aqui e tentar modificar algumas leis chinesas”, disse Arioli.

A boa produtividade das cultivares convencionais também foi citada durante a live do Soja Livre. Arioli contou que em sua propriedade, em Campo Novo do Parecis (MT), foi a melhor produtividade da história. Dalcin ressaltou que os prêmios da safra 2019/2020 foram bons e que, no próximo ciclo, deve melhorar ainda mais.

“Já temos o caso do supermercado alemão LIDL que paga prêmio posterior para quem não conseguiu vender a soja convencional. Aos poucos, o mercado vai entendendo a necessidade de dar segurança ao produtor rural. A ideia é trabalharmos com um contrato de dois anos para que o agricultor tenha certeza de que receberá um diferencial para vender em determinado mercado”, finaliza o presidente do Soja Livre, Endrigo Dalcin.

Sojicultores têm nova opção de variedade convencional precoce

TMG 4377 tem resistência a nematóide de cisto e precocidade favorece safrinha de milho e algodão

Os produtores rurais de Mato Grosso têm uma nova opção de variedade convencional para a próxima safra. A TMG lançou a 4377, cultivar precoce (GM 7.3) com altos resultados de produtividade. “Esta variedade estava sendo aguardada há bastante tempo, com alta precocidade, possibilitando uma boa safrinha de algodão e milho”, afirma Endrigo Dalcin, produtor rural e presidente do Instituto Soja Livre.

Dalcin acredita que a cultivar vem atender a um anseio dos produtores rurais que buscam mais produtividade e precocidade nas variedades convencionais. De acordo com Renan dos Santos, supervisor comercial da TMG em Mato Grosso, também são características a boa capacidade de crescimento, podendo ser plantada desde a abertura do plantio em setembro, alto peso de grãos – de 190 a 200 gramas, e resistência a cisto raças 1 e 3.

A área da safra de soja 2019/2020 em Mato Grosso é de cerca 9,8 milhões de hectares e estima-se que 8% seja cultivada com soja convencional. O Instituto Soja Livre avalia que, para o volume produzido atualmente no Estado, há opções suficientes de cultivares para a decisão do produtor rural.

“Como trabalhamos com um nicho de mercado, as poucas opções conseguem nos atender. O grande diferencial é a precocidade desta nova cultivar que fará com que tenhamos uma janela melhor para as safrinhas”, explica Dalcin.

Instituto Soja Livre

O Instituto Soja Livre é uma associação sem fins lucrativos que defende o direito de cada produtor escolher a qualidade do grão que deseja plantar em cada safra.  O objetivo é fomentar o plantio de soja convencional, feito especialmente por pequenos e médios agricultores para atender um nicho de mercado importante.

Instituto Soja Livre apresenta variedades convencionais na Show Safra, em Lucas do Rio Verde (MT)

Evento ocorre de 17 a 20 de março e mostra aos produtores rurais as vantagens de produtividade e manejo da soja não transgênica

O Instituto Soja Livre (ISL) apresenta aos produtores rurais de Lucas do Rio Verde e região treze variedades de soja convencional que estão disponíveis ou em teste para serem utilizadas em Mato Grosso. Elas estão à mostra durante a Show Safra 2020, que é realizada em Lucas do Rio Verde de 17 a 20 de março, na Fundação Rio Verde. Essas variedades representam cerca de 80% das cultivares de soja não transgênica produzidas no Estado.

O presidente do Instituto Soja Livre, o produtor rural e agrônomo Endrigo Dalcin, afirma que a Show Safra é um dos maiores eventos técnicos de Mato Grosso em uma região das mais relevantes do Estado.

“Há indústria que faz farelo de soja convencional, temos o escoamento de outras empresas pela BR 163 para Miritituba. Por isso, é importante o ISL estar presente para divulgar seus materiais e também conversar com o produtor rural. Temos uma questão importante relacionada à precificação menor para esta região, então vamos conversar para tentar melhorar esta condição de negócio”, afirma.

O evento mostrará as variedades desenvolvidas pela Embrapa (BRS 6980, 7980, 8381, 8581, 6680 e 7481), Agronorte (AN83 022sc, AN89 109sc, COMP 56, COMP 46 e COMP 8) e TMG (TMG 4182 e 4185).

De acordo com João Rodrigues Neto, coordenador de negócios da empresa Caramuru, associada ao instituto, há quatro cultivares que são as mais utilizadas na região da BR 163: BRS 8381, AN83 022sc, AN89 109sc e TMG 4182.

“A TMG 4182 tem ampla resistência a nematoide de cisto e é muito usada como ferramenta para manejo do solo, a BRS é da região, tem um bom melhoramento genético e adaptação. Já a AN83 022sc tem a maior fatia de mercado, responde por 70% do que é cultivado na região da BR 163, com ciclo de 118 dias. A COMP 56 tem ciclo mais tardio, e a COMP 8 já demonstrou estabilidade, precocidade de 108 dias e produtividade, em média 72 sacas por hectare. Ambas são materiais em desenvolvimento pela Agronorte Pesquisas e Sementes, que também é associada do ISL. A pesquisa é contínua para levar melhores materiais para os produtores rurais” afirma João Rodrigues Neto.

Atualmente, estimativas do Imea indicam que do total de 33 milhões de t de soja produzidos em Mato Grosso, 8% são de soja sem transgenia. Segundo o diretor financeiro do Instituto Soja Livre, José Del, a soja livre de transgênicos tem mercado e a tendência é aumentar a demanda. “Agrega valor ao produtor com prêmios que são aplicados sobre o preço pago pela saca”, explica.

 

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Dias de campo da Embrapa em Rondônia promovem soja convencional

Vilhena e Porto Velho receberão eventos onde serão apresentadas 13 cultivares não transgênicas

Treze cultivares de soja convencional serão apresentadas nesta quinta-feira (20.02) em Vilhena (RO) em dia de campo da Embrapa e parceiros. O evento será no Campo Experimental da Embrapa Rondônia, na BR 364, km 2. Os participantes terão ainda informações sobre o manejo da cultura, sistemas integrados de produção e comercialização e custos de produção.

A expectativa da safra no estado é otimista, pois houve boas condições climáticas para a soja e já há quase 50% da área colhida.

Rondônia é o terceiro maior produtor de soja da Região Norte e cultivou na safra 2018/2019 cerca de 300 mil hectares do grão, produzindo, aproximadamente, 1 milhão de toneladas. Quando se avalia a produtividade, o estado fica em primeiro lugar da região, com produtividade média na última safra de 3.325 kg/ha, apontam dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O Instituto Soja Livre é parceiro dos eventos da Embrapa e terá a presenta do diretor técnico Rodrigo Brogin, pesquisador da Empresa. Além do ISL, ainda há parceria da AgroCat, Sementes Ypameri, Adama, Central Agrícola, Sementes Quati, Solcampo, Tratoron, Ihara, Nufarm e Aprosoja Rondônia.

Próximo evento – No dia 5 de março haverá o dia de campo em Porto Velho no Campo Experimental da Embrapa Rondônia, localizado na BR-364, Km 5,5.

Instituto Soja Livre participa de dia de campo em Deciolândia neste sábado (25)

Evento da PA Consultoria deverá reunir mais de mil produtores rurais para falar sobre manejo e mercado da soja

A viabilidade da soja convencional em Mato Grosso será debatida pelo Instituto Soja Livre (ISL) no 9º Dia de Campo PA Consultoria, neste sábado (25.01), em Deciolândia, distrito de Diamantino (MT). O evento deve reunir cerca de mil produtores rurais da região do Parecis, do chamado eixo da BR 163 e até de Rondônia.

“A região de Diamantino ao Parecis correspondeu na última safra a cerca de 40% da produção de soja convencional de Mato Grosso e a PA Consultoria tem papel fundamental na difusão de informações técnicas atuais e precisas para a região. Entre elas, estão as variedades convencionais do Instituto Soja Livre”, explica Rodrigo Brogin, pesquisador da Embrapa e diretor técnico do ISL.

No evento, serão 73 variedades de soja em exposição aos produtores rurais. Nas cultivares convencionais, serão apresentadas as desenvolvidas pela Embrapa (BRS 6980, 7980, 8381, 8581, 6680 e 7481), Agronorte (AN83 0022sc, AN89 109sc entre outros materiais) e TMG (TMG 4182 e 4185).

A Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer) é associada ao ISL e também estará no dia de campo. “A tecnologia da soja convencional está consolidada, mas novos produtos e técnicas surgem ano após ano. Então, a Empaer realiza um trabalho contínuo com os produtores rurais orientando sobre estas novidades”, explica o pesquisador Wininton Mendes.

Além do dia de campo, haverá palestras e 30 empresas irão expor seus produtos no local. O consultor Liones Severo falará sobre “Cadeia do suprimento global safra 2019/2020”, o engenheiro agrônomo Marco Antônio Gandolfo irá expor sobre “Qualidade, segurança e novas tecnologias na aplicação agroquímica” e Paulo Asunção e Henrique Trevisanuto sobre análise climática, nutrição de plantas e conceitos do manejo de doenças da soja.

“Este é um evento diferenciado, focado em levar conhecimento ao agricultor. Queremos atender as expectativas”, afirma Paulo Assunção, da PA Consultoria, organizador do evento e empresa também associada ao Instituto Soja Livre.


SERVIÇO:
9º Dia de Campo PA Consultoria
Data: 25/01/2020
Horário: das 7h30 às 15h
Local: Fazenda São Paulo – Deciolândia. Km 724 da BR 364
Inscrição: https://www.e-inscricao.com/DIADECAMPOPA/paconsultoria

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Dialog Comunicação e Assessoria
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