Instituto Soja Livre

Quatro novas cultivares de soja convencional estão à disposição do produtor rural

Instituto Soja Livre apresenta as novidades nas vitrines tecnológicas em dias de campo e exposições

O Instituto Soja Livre apresentará durante eventos deste ano quatro novas variedades de soja convencional que já estão em campo na safra 2020/21 e poderão ser adquiridas pelos produtores rurais para a safra 2021/22. Para o presidente do ISL, Endrigo Dalcin, estes lançamentos são importantes para dar competitividade à soja convencional brasileira.

“As empresas trabalharam muito nos últimos anos para apresentar aos agricultores variedades convencionais mais precoces e mais produtivas e conseguiremos mostrar neste ano estas novidades em nossas vitrines nos dias de campo e exposições que iremos participar. O trabalho de pesquisa em germoplasma é fundamental para estes avanços e precisamos, também, trabalhar em um projeto de lei que remunere este elo da cadeia”, afirma Dalcin.

As variedades demostradas são BRS 7980, BRS 8381, BRS 284 (Embrapa), TMG 4377, TMG 4182 (TMG), AN 83 022sc, AN 80 111sc, AN 89 109sc, AN 88 022sc (Agronorte).

Segundo o pesquisador da Embrapa e diretor técnico do Instituto Soja Livre, Rodrigo Brogin, a 4377, da TMG, já caiu no gosto do produtor rural pela resistência ao nematoide de cisto; a 284, da Embrapa, era um material inicialmente plantado na região Sul do Brasil e chega a Mato Grosso agradando pela estabilidade na produção. Brogin afirma que os materiais da Agronorte são selecionados e têm muito potencial produtivo.

“O produtor rural testa as novas variedades aos poucos para conhecer o comportamento do material e saber se vai inserir no seu portfolio. A cada ano temos materiais mais competitivos pela evolução dos programas de melhoramento e, desta forma, damos opção para o agricultor. Uma das formas de ele conhecer é nos eventos onde o Instituto Soja Livre apresenta suas vitrines e também das empresas associadas”, diz Brogin.

O representante técnico comercial da TMG, Antônio Matias Ferreira, reforça a precocidade da 4377. “É uma variedade super precoce, de 98 a 103 dias na região do Parecis e Médio Norte de Mato Grosso, tem exigência de solo e resistência a nematoide de cisto e grãos pesados. Já a 4182 tem ampla resistência a nematoide de cisto também e é uma das mais completas”.

Josimar Gross, gerente comercial da Agronorte, conta que a empresa tem dois materiais que já são competitivos no mercado: 83 022 e 89 109. Para esta safra, lançam duas cultivares: 80 111, que tem alto desempenho, com potencial produtivo em torno de 80 sc/ha, ciclo precoce, excelente tolerância à chuva e indicada para solos de média e alta fertilidade. A 88 022 é um material de ciclo um pouco mais longo, caixa de produção muito alta, grãos pesados e vai bem em áreas de fertilidade média a baixa.

“Com esses lançamentos, vamos melhorar muito nossa oferta de variedades de ciclo mais precoce para atender uma grande demanda dos produtores para o plantio na melhor janela do milho safrinha e algodão nos diferentes municípios de Mato Grosso”, comenta Estenio Faria, gerente da Caramuru e conselheiro fiscal do ISL.

Novas variedades de soja convencional serão apresentadas pelo Instituto Soja Livre durante a Dinetec 2021

Evento será realizado em Canarana (MT) de 13 a 15 de janeiro cumprindo medidas de biossegurança

O Instituto Soja Livre participará da Dinetec 2021 e apresentará as novidades em soja convencional para o ciclo 2021/22 entre os dias 13 e 15 de janeiro, em Canarana (MT). Em suas vitrines nas Unidades Demonstrativas, o ISL apresentará nove variedades de soja convencional disponíveis no mercado e a viabilidade do plantio.

Para o presidente do Instituto, Endrigo Dalcin, a Dinetec se consolidou como um grande evento do setor na região Leste de Mato Grosso.

“Neste ano, a exposição traz grandes novidades e é importante o produtor rural participar. O Instituto Soja Livre estará presente nesta região que é importante para a soja convencional, com grandes compradores e logística interessante. Apesar da pandemia, a agricultura não parou e vamos mostrar materiais que são novidades”, disse.

Nesta edição, o Instituto Soja Livre apresentará as variedades: BRS 7980, BRS 8381, BRS 284 (Embrapa), TMG 4377, TMG 4182 (TMG), AN 83 022sc, AN 80 111sc, AN 89 109sc, AN 88 022sc (Agronorte). A Dinetec ocorre na Área Experimental Meta Agro, em Canarana, e é considerado o maior evento tecnológico do Vale do Araguaia.

Veja aqui o Catálogo de Cultivares de Soja 2020/2021 do Instituto Soja Livre.

Peixes, aves, suínos, chocolate: saiba os principais destinos da soja convencional

A soja brasileira é componente principal da ração para animais ao redor do mundo. Aves, suínos, bovinos e peixes são alimentados com ração que, sendo produzida com soja convencional, tem maior agregação de valor. De acordo com Marcos Melo, gerente de insumos da Caramuru, empresa associada ao Instituto Soja Livre, são mais de 5 milhões de toneladas demandadas por estes produtos.

“Há possibilidade de crescimento deste volume se tivermos ofertas mais constantes”, acredita Melo, que participou de uma live sobre soja convencional organizada pela Embrapa em parceria com o ISL no início do mês de dezembro.

Segundo ele, são três principais produtos derivados da soja não convencional: o farelo hipro 48% de proteína, o farelo SPC 62% proteína e a lecitina. O farelo hipro tem demanda de 4 milhões de toneladas, enquanto o SPC de 750 mil toneladas e a lecitina, 70 mil toneladas.

Alemanha, França, Itália, Holanda e Suíça são os cinco principais países compradores do hipro 48%, que é utilizado para ração de aves, principalmente, e também suínos e bovinos. Noruega, Dinamarca, Reino Unido, Grécia e Austrália são os compradores do SPC 62%, utilizado para alimentação de peixes em cativeiro, especialmente salmão e truta.

“Já a lecitina é utilizada para produção de chocolate, sorvete, é um emulsificante muito usado na produção de alimentos. Sendo não transgênico, tem aceitação muito boa e valor agregado em diversos países, especialmente da Europa”, afirmou Melo.

O presidente do Instituto Soja Livre, Endrigo Dalcin, também participou da live e informou que o Brasil deve produzir soja em uma área de 38 milhões de hectares na safra 2020/2021, cerca de 3 % maior que a safra anterior. Entretanto, a área de soja convencional estimada é de apenas 900 milhões de hectares. Mato Grosso é o estado que mais produz soja convencional, com cerca de 470 mil hectares nesta safra.

“Há desafios que buscamos resolver para aumentar a área de soja convencional no país, pois há grande potencial de aumento de demanda. Entre eles, contratos de pelo menos 2 anos entre compradores e produtor rural, prêmios atrativos, continuidade na pesquisa de novas variedades”, exemplificou Dalcin. Ele frisou também a sustentabilidade da soja mato-grossense e brasileira, que atende uma rigorosa legislação ambiental e trabalhista.

Marcos Melo, da Caramuru, informou que para Goiás e Mato Grosso novas variedades de soja já estarão nas lavouras nesta safra 2020/2021. Serão 17 variedades no total desenvolvida pela Embrapa, TMG, Agronorte, universidades de Viçosa e Uberlândia, entre outras empresas.

Falando sobre o futuro da soja convencional na visão do comprador, Melo apontou que dependerá das compras dos países da União Europeia, que são grandes consumidores, assim como da estabilidade da oferta com rastreabilidade e livre de resíduos de defensivos.

Ele alertou que caso haja dificuldades para o mercado de soja convencional, os compradores têm outras alternativas como o guar da Índia – uma leguminosa parecida com vagem. Há ainda o crescimento da produção na Europa, em países como Itália e Ucrânia, e também na Índia, que produz 100% de soja convencional.

“É importante termos continuidade na pesquisa e consequente aumento na oferta de variedades convencionais e também a valorização adequada de toda a cadeia produtiva”, finalizou Marcos Melo.

Confira o Seminário on-line Soja Convencional em Mato Grosso aqui: https://www.youtube.com/watch?v=stRn-jgdfjQ.

Demanda europeia e abertura do mercado chinês devem incentivar plantio de soja convencional nos próximos anos

Entretanto, área de plantio na próxima safra deve cair e ocupar 2,3% do total nacional. Em MT, a área deve ser de 6%

A safra de soja convencional 2020/2021 no Brasil deve ocupar 2,3% do total da área plantada com a oleaginosa, em Mato Grosso chegará a 6%. Os prêmios devem ser remuneradores para o produtor rural, pois não há mais produto para a venda. Porém, ainda há insegurança dos agricultores por causa da variação dos prêmios a cada safra.

O Instituto Soja Livre (ISL) trabalha junto aos compradores no convencimento sobre a importância de um contrato bianual que garanta remuneração ao agricultor e o produto para o consumidor, que na maioria são países europeus.

No último ciclo, foram 5 milhões de toneladas de soja convencional de um total de 120 milhões de toneladas. De acordo com o diretor de Relações Internacionais do Instituto Soja Livre (ISL), Ricardo Arioli, as variedades convencionais já representaram 22% do total da área na safra 2014/2015.

“Essa queda é reflexo da falta de interesse do produtor rural. O problema é a falta de um contrato antecipado pelo prêmio a esta soja. A (soja) convencional é vendida para o mercado europeu e é um nicho, por isso precisa de um bônus e ele varia muito. Se os produtores plantam e na hora de vender a soja não tem um prêmio remunerador – mais ou menos 2 ou 3 dólares por saca, desestimula”, aponta Arioli.

O diretor frisa que a situação atinge toda a cadeia da soja convencional, como o sementeiro, que não vende o produtor e não investe em produção de novas variedades, por exemplo.

Entretanto, há a expectativa de abertura do mercado da China para a soja convencional. “Lá, a soja não transgênica é usada para consumo humano, algo entre 12 a 15 milhões de toneladas. O consumo interno aumenta rapidamente e, em breve, será um grande cliente”, diz Arioli.

O receio é a tolerância zero para a contaminação com soja transgênica, que outros mercados permitem entre 0,5% ou 1%. “Teríamos que negociar com os compradores para que o produto saia do Brasil com todos os testes feitos e não corra o risco de devolução. Existem várias formas de exportação, temos instrumentos e ferramentas para consolidar este mercado nos próximos anos”, avalia.

Mato Grosso novamente deve ser o destaque na produção da soja convencional. O share do Estado é de 53%, enquanto Paraná responde por 18%, Goiás por 10%, Mato Grosso do Sul por 7% e os demais estados 13%. O diretor do ISL acredita que há espaço para crescimento.

“Estamos tentando melhorar essa comunicação com a Europa dizendo que eles não precisam pagar muito caro pelo prêmio, como acontecerá no ano que vem, desde que haja um contrato remunerador. O mercado de (soja) convencional é uma ferramenta poderosa na mão dos produtores também para controlar o preço dos royalties das variedades transgênicas. Há variedades convencionais muito produtivas, por isso o agricultor precisa, além de ter a opção do que plantar, ter o prêmio para incentivar”, finaliza Arioli.

Soja Livre completa dez anos na defesa da soja convencional

Instituto agrega produtores, Embrapa, tradings e empresas e começou em 2010, como um programa da Aprosoja-MT. Hoje, sua atuação se expandiu para todo o Brasil

O intuito de garantir aos produtores de soja a liberdade para poderem escolher entre soja convencional e soja transgênica fecha um ciclo de dez anos em 2020. Iniciado como um projeto da Aprosoja Mato Grosso e Embrapa, o Instituto Soja Livre formaliza o propósito de garantir pesquisa, tecnologia e mercado para que sojicultores brasileiros tenham, de fato, direito de opção.

Os organismos geneticamente modificados (OGMs) entraram no mercado brasileiro em 2003, e a estratégia agressiva de venda da multinacional detentora da patente deixou os agricultores apreensivos. “As ações de mercado da empresa eram de guerra, e o produtor ficou acuado, pois a produtividade da semente transgênica ainda não era conhecida”, lembra Roque Ferreti, diretor administrativo do Instituto Soja Livre.

Com o passar dos anos, optar pela soja convencional se tornou uma ação de resistência e se tornou uma bandeira defendida pela Aprosoja-MT e pela Embrapa. Em seguida, o então “programa” Soja Livre recebeu a participação da Associação Brasileira dos Produtores de Grãos Não Geneticamente Modificados (Abrange) e de tradings.

“O movimento foi uma forma de discutirmos a cobrança de royalties, porque não havia diálogo a respeito de valores. Queríamos ser livres para plantar o que quiséssemos. Agregando novos parceiros, o programa começou a encorpar e a ter mais relevância”, diz Roger Augusto Rodrigues, produtor rural e um dos fundadores do programa Soja Livre.

O diretor técnico do Instituto Soja Livre, pesquisador da Embrapa Rodrigo Brogin, lembra que com o crescimento da área de soja transgênica alguns produtores rurais não verificavam lançamentos de novas variedades de cultivares convencionais.

“Na época, a soja convencional passou a ser tratada como algo ultrapassado. Este foi um momento importante para a Embrapa, pois tivemos que ‘correr’ para fazer o melhoramento e entregar materiais mais competitivos. Conseguimos desenvolver cultivares novas e colocar no mercado”, afirmou.

Para o pesquisador Ivan Paghi, também fundador do programa, uma das metas mais importantes do Soja Livre era a mobilização para fomentar a continuidade das pesquisas e aproximar os elos da cadeia. Entre conquistas marcantes, ele cita a rastreabilidade e a certificação. “A Abrange e a ABNT criaram a primeira norma de produção de soja não transgênica, e isso foi fundamental”, relembra.

Fundação do Instituto Soja Livre, em 2017.

Em 2017, o programa se transformou no Instituto Soja Livre, uma associação autônoma, com o objetivo de ampliar o trabalho e dar transparência às ações. O movimento cresceu e tornou-se de abrangência nacional e até internacional. Para o presidente Endrigo Dalcin, que à época presidia a Aprosoja-MT, a trajetória até o momento foi de extrema importância.

“Mantivemos a soja convencional no campo de visão do produtor rural, mostrando que há opção do que plantar. A gente sabe das dificuldades do mercado, mas o papel fundamental do Soja Livre é apoiar e dar suporte a quem quer plantar convencional, seja produtor ou empresas. Hoje, somos referência para informações técnicas e de mercado”, observa.

A diminuição da área de soja convencional no Brasil tornou os agricultores em especialistas na cultivar. Hoje, em Mato Grosso, maior estado produtor de grãos do País, a área representa 8% do total cultivado. “O mercado se afunilou a um nicho, de alta qualidade e remunerado por isso. Atualmente, o Instituto Soja Livre tem uma agenda importante de conversações com parceiros internacionais, suporte técnico e associados ‘de peso’”, diz Dalcin.

O empresário Joel Luciano Callegaro, da Campo Real de Querência (MT), associou-se ao Instituto Soja Livre para divulgar a empresa no mercado. “Vi que grandes empresas estavam participando e quis mostrar o meu negócio também. Acredito que a ideia é resgatar esse mercado”, diz. Apesar da diminuição da área plantada com soja convencional, as tecnologias vêm sendo aprimoradas e se tornou um nicho de mercado para o agricultor.

O ISL trabalha em conjunto com produtores rurais e empresários na busca de uma melhor remuneração para a soja convencional, com um pagamento de prêmio aos agricultores. Um exemplo é a parceria com a rede de supermercado alemã LIDL, a maior da Europa, como forma de fomentar o cultivo no Brasil. O programa é gerenciado pelo Instituto Soja Livre, Fundação Pró-Terra e Food Chain ID.

O instituto agora tem como foco o mercado, mostrando as vantagens do cultivo convencional para o produtor e também apresentando o produto para o mercado convencional que busca cada vez mais sustentabilidade.

“Hoje, temos cultivares com ciclos mais curtos, mas precisamos ainda de melhoramento – essa busca não para. A missão primeira do Soja Livre, que é manter a tecnologia viva, está sendo cumprida”, afirma Brogin.

“É um nicho de mercado para agricultores especialistas. O que aumenta a produtividade é a genética da cultivar, o que pode ser feito nas convencionais também. Precisamos apoiar a pesquisa, a Embrapa, e dar a opção para que o produtor rural pense no plantio de convencional como uma decisão estratégica comercial”, acredita Ivan Paghi.

Os momentos difíceis de agregação de pessoas e empresas para um trabalho comum ficou para trás. O diretor Roque Ferretti lembra que “colocar todos em um ‘saco só’ era complicado, e demorou alguns anos para todos entenderem que o objetivo era comum”.

Para ele, o Instituto existe graças à compreensão dos que ficaram e é forte pelo trabalho em equipe. “O Instituto Soja Livre está muito sólido e bem estruturado. Somos referência e seguimos firmes, com objetivos claros traçados e sempre agregando para proteger este nicho de mercado e termos liberdade de escolha”, destaca.

Soja convencional terá boa rentabilidade no ciclo 2020/2021

Projeção do Instituto Soja Livre aponta para mercado aquecido apesar da redução da área plantada

A safra 2020/2021 de soja convencional deve ter boa rentabilidade, apesar da redução de área verificada nos estados produtores. Levantamento do Instituto Soja Livre aponta para uma área de 600 mil hectares em Mato Grosso, próximo de 6% da área de 10,21 milhões de hectares projetadas.

Para o presidente do Instituto Soja Livre, Endrigo Dalcin, se consolidando os bons números no próximo ciclo haverá um aumento de área para 2021/2022. “O que sempre frisamos é que os prêmios pagos pela soja convencional se mantenham por pelo menos dois anos. Desta forma, toda a cadeia pode se organizar para atender a demanda. Neste momento, já projetamos algum aumento para as próximas safras”, afirma.

Em Goiás, a área prevista de soja convencional está em torno de 53 mil hectares. Juntamente com Mato Grosso, Paraná e Mato Grosso do Sul produzem 90% da soja convencional brasileira. Para Davi Depiné, diretor de fomento da Caramuru Alimentos, associada ao Instituto Soja Livre, o aumento do dólar não tornou atrativo o preço pago pela saca de soja convencional.

“Os preços da soja subiram muito. Então, os prêmios praticados não foram vantajosos para o produtor rural. Mesmo com o bônus, ainda não chegamos ao preço pago pela soja GMO”, explica.

Na região Médio Norte de Mato Grosso os bons preços do milho fizeram com que o produtor rural optasse por variedades precoces de soja para não perder a janela ideal do plantio da segunda safra. Para Estênio Carvalho, gerente regional da Caramuru Alimentos, o trabalho em variedades mais precoces e produtivas de soja convencional pode fazer com que os agricultores optem por ampliar a área de plantio.

“Já temos parceria com Embrapa e Universidade de Viçosa para estas variedades, a Agronorte também tem algumas, assim como a TMG. O mercado de soja convencional vem se preparando para atender a esta demanda”, acredita. Para ele, também é preciso se atentar ao mercado internacional que é o comprador da soja convencional brasileira. “Temos que seguir as regras do consumidor, que é a Europa, e eles são muito preocupados com a questão ambiental”, reforça.

O mercado internacional está se movimentando para consumir mais soja convencional, de acordo com Augusto Freire, da Food Chain ID. “Precisamos é divulgar melhor nossa produção lá fora para que vejam como trabalhamos com sustentabilidade e, desta forma, paguem o prêmio adequado. Há sinais de que a próxima safra seja positiva, mas não podemos ter muito entusiasmo. Dependemos da Índia, nosso principal concorrente na soja convencional”, frisa.

O Instituto Soja Livre planeja um road show pela Europa para apresentar aos compradores a sojicultura mato-grossense, que tem grande foco na sustentabilidade sócio-ambiental. “Neste ano, devido à pandemia ficamos impedidos de viajar e fazer este trabalho de divulgação. Acreditamos que em 2021 podemos rodar a Europa com reuniões importantes e trazer avanços no comércio da soja convencional”, acredita Endrigo Dalcin, presidente do ISL.

PANDEMIA

A pandemia da Covid-19 não afetou fortemente a sojicultura brasileira. Em Mato Grosso e Goiás, por exemplo, ocorreu a colheita da safra de verão e o plantio da safrinha. A preocupação no momento atual é a movimentação de insumos para a próxima safra. As empresas, entretanto, estão preparadas com os protocolos de segurança a serem seguidos para evitar contaminação. Davi Depiné, da Caramuru, conta que os atendimentos presenciais foram substituídos pelas conversas pela internet sempre que possível.

Quatro estados produzem 87,5% da área de soja convencional brasileira

Mato Grosso, Paraná, Goiás e Mato Grosso do Sul são os maiores produtores, doze Estados perfazem apenas 12,6%

A produção de soja convencional vem diminuindo no Brasil desde a introdução das sementes geneticamente modificadas. A soja livre de transgenia, porém, traz vantagens aos produtores rurais interessados em nichos de mercado e em se manterem livres para escolher quais variedades e produtos usar em suas lavouras.

Em levantamento realizado pelo Instituto Soja Livre, Mato Grosso é o principal produtor de soja convencional do País, utilizando 602,2 mil hectares para estas cultivares, o que significa 52,8% do total da área destinada para estas cultivares. Em seguida vem o Paraná, com 206,3 mil hectares (17,8%), Goiás com 113,4 mil hectares (9,6%) e Mato Grosso do Sul com 85,5 mil hectares (7,3%).

Os estados de Roraima, Minas Gerais, Tocantins, Rondônia, Rio Grande do Sul, Piauí, Distrito Federal, São Paulo, Maranhão, Bahia, Santa Catarina e Pará representam 12,6% da área total plantada com soja convencional.

O presidente do Instituto Soja Livre, Endrigo Dalcin, ressalta que cada estado tem a sua particularidade e afirma que os pequenos e médios produtores têm mantido a produção de soja convencional e conseguido renda extra e que há mercado internacional para o produto.

“Precisamos de prêmios firmes para que o agricultor brasileiro continue e volte a plantar soja convencional. Sabemos que pode trazer mais renda para os produtores rurais nas pequenas e médias propriedades”, diz Dalcin.

Na safra 2019/20 brasileira foram plantados 1,5 milhão de hectares de soja convencional com produção de 5,1 milhões de toneladas. Mato Grosso ocupou metade desta área, produzindo 2 milhões de toneladas de soja sem modificação genética.

O Instituto Soja Livre trabalha com a FoodChain ID, empresa que faz certificações internacionais para a soja. O objetivo é que, em médio prazo, a soja convencional brasileira possa ser certificada e consiga livre acesso aos mercados europeus e também chinês.

Para Augusto Freire, da FoodChain ID, o mercado internacional varia bastante em relação ao abastecimento com soja convencional. “A Índia é um grande país produtor de soja convencional e abastece muitos países europeus, por isso há anos que o prêmio é melhor e outros, pior. Buscamos a certificação porque será um grande diferencial em relação a este concorrente que não tem preocupação com sustentabilidade, por exemplo”.

Outro mercado focal da soja convencional brasileira é o chinês. Freire explica que a classe média chinesa é maior que toda a população brasileira e têm interesse em produtores livres de transgênicos para consumo humano.

“Quando este mercado engrenar será um grande salto para a nossa produção e já existem projetos pilotos de embarque de conteiners para a China. Precisamos informar isso aos europeus e exigir que voltem a fazer contratos de longo prazo com os produtores brasileiros com prêmios atrativos”, finaliza.

Bons prêmios incentivam plantio de soja convencional em MT

Os agricultores ainda estão tomando as últimas decisões sobre o plantio da safra 2020/2021. De acordo com dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), mais de 40% dos produtores rurais não definiram se plantarão sementes transgênicas ou convencionais.

O presidente do Instituto Soja Livre, Endrigo Dalcin, salienta as vantagens das variedades convencionais: “há um nicho de mercado muito importante que os produtores rurais mato-grossenses e brasileiros podem atingir. A Europa é consumidora e buscamos alterações na legislação chinesa para que a convencional também entre no País”.

Além disso, o ISL trabalha para que haja bons prêmios pagos para os agricultores que cultivem variedades convencionais. Dados do IMEA apontam que a área de soja convencional vem diminuindo drasticamente em Mato Grosso – caiu de 18% do total na safra 2017/18 para 5% na safra 2019/20.

Segundo Dalcin, os prêmios não animaram os agricultores que buscaram a segurança das variedades transgênicas. “Porém, verificamos nos últimos dias prêmios de 10 a 12 reais por saca justamente por causa da queda na produção esperada. O mercado lá fora está em alerta para a baixa produção de soja convencional e deve oferecer melhores prêmios no próximo ciclo”, explica.

O custo operacional de produção não apresenta muita diferença entre soja convencional e transgênica. O IMEA estimou que o hectare de soja transgênica custa R$ 3.482,00 e o de convencional custa R$ 3.600,00. Há pouca diferenciação nos custos de sementes: a transgênica represente 9% do custo, a convencional 7%, e em relação a defensivos, a transgênica 25% do custo operacional e a convencional 28%.

Apoio ao plantio

Neste ano, os agricultores que plantaram soja convencional nas safras 2017/18 e 2018/19 começaram a receber novamente prêmios pelos grãos comercializados como transgênicos. Os valores – US$ 9 por saca, são da LIDL, a maior rede de supermercados da Europa e foram direcionados para fomentar o plantio de soja livre de transgênicos no Brasil por meio do Programa de Incentivo à Soja Convencional. O programa é gerenciado pelo Instituto Soja Livre, Fundação Pró-Terra e Food Chain ID.

Instituto Soja Livre

O Instituto Soja Livre é uma associação sem fins lucrativos que defende o direito de cada produtor de escolher a qualidade do grão que deseja plantar em cada safra.  O objetivo é fomentar o plantio de soja convencional, feito especialmente por pequenos e médios agricultores para atender um nicho de mercado importante.

Conexão Soja Livre debate crise e oportunidades da soja convencional

Encontro pela rede social nesta sexta-feira (08.05) tratou de mercado, produtividade, manejo, entre outros temas

As mudanças com a pandemia do novo coronavírus têm afetado os mercados mundiais. Muito há de se pensar sobre renovação, novas tecnologias e rentabilidade. Para iniciar debates sobre temas pertinentes ao setor, o Instituto Soja Livre realizou nesta segunda-feira (08.05) a primeira edição do Conexão Soja Livre, um projeto que busca interligar e informar produtores rurais e parceiros da cadeia de soja convencional por meio das redes sociais.

O tema do primeiro encontro foi impactos da crise e oportunidades da soja convencional. O presidente do ISL, Endrigo Dalcin, disse que está é uma ferramenta que deverá ser bastante usada para falar com os produtores rurais, traders, mercado e todos os participantes da cadeia.

Dalcin também explicou sobre a criação e a importância do Instituto. “Mato Grosso sempre se destacou na produção de soja e, antes do advento da transgenia, eram plantadas cultivares convencionais. O produtor rural gosta destas cultivares e precisamos cada vez mais da união de entidades, tecnologias e profissionalização para que volte a ganhar espaço”, afirmou.

Ele explicou que a transgenia veio para aumentar a produtividade nas lavouras e isso se significou perda de proteína. “Nosso principal cliente, China, reclama de que há pouca proteína na soja que recebem e isso pode ser melhorado com as cultivares convencionais que estão no mercado”.

Entretanto, para que haja o real interesse do produtor rural é preciso que toda a cadeia da soja convencional também esteja com o mesmo objetivo. Dalcin ressalta: “o plantio é uma decisão da cadeia, com armazém, sementeira, trade, tudo preparado para este mercado que deverá pagar prêmios sobre o valor da saca”.

Durante a conversa, o diretor de Relações Internacionais do ISL, Ricardo Arioli Silva, explicou que a negociação por prêmios regulares é um dos objetivos da entidade. “Sabemos que o mercado é livre, mas queremos buscar um equilíbrio nesta gangorra para melhorar as condições atuais. Os pequenos é médios produtores têm aderido à soja convencional porque agrega receita, mas a irregularidade e incerteza dos prêmios causa expectativas”.

Os diretores citaram os dados levantados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agrícola (Imea) sobre soja convencional. Em uma safra que deve chegar a 34,74 milhões de toneladas em 2020/2021, cerca de 40% dos produtores rurais ainda não decidiram se plantarão transgênicos ou convencional. Na safra 2019/2020, apenas 5% da área foi cultivada com soja convencional.

“Temos que tentar avançar no mercado chinês, que exige 100% da soja convencional sem contaminação, ou seja, sem mistura com soja transgênica. Isso é impossível, mas 99,9% é possível. Então, é necessário mostrarmos que fazemos um bom trabalho por aqui e tentar modificar algumas leis chinesas”, disse Arioli.

A boa produtividade das cultivares convencionais também foi citada durante a live do Soja Livre. Arioli contou que em sua propriedade, em Campo Novo do Parecis (MT), foi a melhor produtividade da história. Dalcin ressaltou que os prêmios da safra 2019/2020 foram bons e que, no próximo ciclo, deve melhorar ainda mais.

“Já temos o caso do supermercado alemão LIDL que paga prêmio posterior para quem não conseguiu vender a soja convencional. Aos poucos, o mercado vai entendendo a necessidade de dar segurança ao produtor rural. A ideia é trabalharmos com um contrato de dois anos para que o agricultor tenha certeza de que receberá um diferencial para vender em determinado mercado”, finaliza o presidente do Soja Livre, Endrigo Dalcin.

Sojicultores têm nova opção de variedade convencional precoce

TMG 4377 tem resistência a nematóide de cisto e precocidade favorece safrinha de milho e algodão

Os produtores rurais de Mato Grosso têm uma nova opção de variedade convencional para a próxima safra. A TMG lançou a 4377, cultivar precoce (GM 7.3) com altos resultados de produtividade. “Esta variedade estava sendo aguardada há bastante tempo, com alta precocidade, possibilitando uma boa safrinha de algodão e milho”, afirma Endrigo Dalcin, produtor rural e presidente do Instituto Soja Livre.

Dalcin acredita que a cultivar vem atender a um anseio dos produtores rurais que buscam mais produtividade e precocidade nas variedades convencionais. De acordo com Renan dos Santos, supervisor comercial da TMG em Mato Grosso, também são características a boa capacidade de crescimento, podendo ser plantada desde a abertura do plantio em setembro, alto peso de grãos – de 190 a 200 gramas, e resistência a cisto raças 1 e 3.

A área da safra de soja 2019/2020 em Mato Grosso é de cerca 9,8 milhões de hectares e estima-se que 8% seja cultivada com soja convencional. O Instituto Soja Livre avalia que, para o volume produzido atualmente no Estado, há opções suficientes de cultivares para a decisão do produtor rural.

“Como trabalhamos com um nicho de mercado, as poucas opções conseguem nos atender. O grande diferencial é a precocidade desta nova cultivar que fará com que tenhamos uma janela melhor para as safrinhas”, explica Dalcin.

Instituto Soja Livre

O Instituto Soja Livre é uma associação sem fins lucrativos que defende o direito de cada produtor escolher a qualidade do grão que deseja plantar em cada safra.  O objetivo é fomentar o plantio de soja convencional, feito especialmente por pequenos e médios agricultores para atender um nicho de mercado importante.